A violência prejudicando o transporte público no Rio de Janeiro

Com um transporte público já em crise devido a falta de investimento em melhorias por parte dos governos municipais e estaduais do Rio de Janeiro,  essa crise ainda piora visto que há outros fatores que cooperam ainda mais para o caos no transporte público carioca. Tendo um sistema de segurança mal administrado, os passageiros e trabalhadores que utilizam esse transporte caótico sofrem ainda mais com para conseguir chegar no trabalho e ir para suas casas.  

FURTO / CALOTE / VANDALISMO


ESTAÇÃO DO BRT CESARINHO TOTALMENTE VANDALIZADA

Utilizando o BRT Rio como principal exemplo, sendo um sistema por ônibus articulado em pista exclusiva de grande porte, o mesmo está entrando em falência devido, além da falta de investimento por parte da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Transportes, mas também pelos constantes casos de vandalismo, furto de equipamentos e calotes dados por pessoas mal intencionadas. Segundo a própria Prefeitura, atualmente há 46 estações do BRT ao todo fechadas por causa de vandalismo e furto de cabos. Esses acontecimentos atrapalham bastante a vida dos passageiros visto que, se o passageiro mora de frente a uma estação de BRT e a mesma sofre um ato de vandalismo e ela vem a fechar, o mesmo é obrigado a se deslocar para a estação mais próxima, fazendo assim com que o indivíduo tenha um tempo maior de deslocamento e um cansaço dobrado. 



ARTICULADO DO BRT RIO COM O VIDRO QUEBRADO APÓS VÂNDALOS ARREMEÇAREM PEDRAS CONTRA O VEICULO


Se o vandalismo nas estações atrapalham bastante, o vandalismo dentro dos articulados do BRT Rio piora ainda mais. De bancos arrancados a portas danificadas e até vidros quebrados, esses atos fazem com que um único BRT fique até 1 semana na garagem aguardando manutenção e deixa quase 2 mil passageiros (quantidade média que 1 único BRT consegue transportar por dia) aguardando por mais tempo em uma estação/terminal. Em alguns casos, também no BRT porém ocorrendo também em ônibus convencionais, o vândalo abre a basculante do teto do ônibus e fica com metade do corpo para fora, o que acarreta, além de colocar a sua própria vida em risco, ainda compromete o emprego do motorista e a viagem dos demais passageiros já que se cair do ônibus a viagem é interrompida e o motorista pode até ser punido com demissão direta por algo que ele não tem culpa.  A imagem abaixo mostra muito bem isso, em um ônibus da empresa Braso Lisboa.


ÔNIBUS DA BRASO LISBOA NA LINHA 476 COM O BASCULANTE ABERTO E PESSOAS COM PARTE DO CORPO PARA FORA


Essas ocorrências não acontecem apenas em ônibus do BRT, pois também ocorrem em ônibus convencionais de diversas linhas, o que obriga, mesmo que de maneira forçada, que a empresa interrompa ou altere o serviço de uma determinada linha por causa da violência. Podemos citar a empresa Transportes Flores, que em alguns casos de tiroteio em comunidades no Rio de Janeiro acaba tendo pelo menos um ônibus depredado e até mesmo incendiado e é obrigada a alterar o trajeto de alguma de suas linhas.



ÔNIBUS DA TRANSPORTES FLORES INCENDIADO POR VÂNDALOS


BARRICADAS

Quando o assunto é a violência que acarreta em depredação de veículos convencionais ou até mesmo uso dos ônibus como instrumento de barricada para evitar o acesso da Polícia Militar nas comunidades, podemos citar  os ônibus da Transportes Barra, que infelizmente é um alvo já visado quando tem guerra na comunidade da Vila Aliança/Taquaral e seus veículos acabam sendo atravessados pelos bandidos daquela localidade para impedir o acesso de qualquer pessoa para dentro ou fora da comunidade. Fato esse corriqueiro e que infelizmente o passageiro se acostumou a ver. Rumores de que a empresa iria alterar trajetos e retirar linhas de dentro da comunidade já foram feitos, entretanto não há nada concreto até o exato momento, porém, independente da linha que seja, a vida dos passageiros e motoristas é o mais importante nesse momento. 

ASSALTOS


ABORDAGEM DA PM A UM ÔNIBUS DA EXPRESSO RECREIO NA ESTR. DA PEDRA, EM GUARATIBA

Com tudo que já foi citado fica até difícil imaginar que ainda tenha como piorar a vida do passageiro. Entretanto não  pode-se esquecer dos frequentes e assustadores assaltos que ocorrem na ida e volta do trabalho nas linhas de ônibus executiva apelidada de "frescão".  Quase toda semana o passageiro, que opta por utilizar o serviço de uma linha com um custo mais elevado para ter um conforto maior na ida e volta do trabalho, fica na mira dos bandidos. Seja na Avenida Brasil ou na Avenida das Américas. Linhas como 2303 Cesarão x Carioca via Av. Brasil e 2803 Vila Kennedy x Barra da Tijuca via Av. das Américas são uma, entre tantas outras que são alvos dos bandidos. Os relatos são sempre os mesmos: 

Nas linhas da Av. das Américas os bandidos sobem no Recreio dos Bandeirantes, anunciam o assalto muito das vezes no Túnel da Grota Funda e descem ou em Ilha de Guaratiba ou no Mato Alto. Em outros casos, obrigam o motorista a sair do trajeto original da linha.

Na Av. Brasil, as informações são de que os mesmos sobem na altura da Carobinha e descem quase sempre na altura da Metral.

 A Polícia Militar até conseguiu pegar 2 bandidos recentemente na Estrada da Pedra após realizarem  um assalto em um ônibus da linha 2335 Santa Cruz x Castelo via Av. das Américas e até realizam blitz na saída do Túnel da Grota Funda com revista nos ônibus, porém parece que não é o bastante visto que os assaltos continuam. 




E se não bastasse os constantes assaltos nos "frescões", ainda há também os assaltos nos ônibus convencionais como os da linha 864 Campo Grande x Bangu. Relatos de que um único bandido já assaltou o mesmo ônibus dessa linha 2 vezes, sem contar o passageiro sendo baleado dentro do coletivo, entre outros relatos. Segundo informações, pelo menos nessa linha, os atos ocorrem quase sempre após o coletivo entrar na Avenida Santa Cruz, independente do sentido. E, assim como está sendo feito na saida do Tunel da Grota Funda, a Polícia Militar até faz algumas blitz e rondas, conseguindo até apreender alguns indivíduos, porém não é o suficiente para tantos casos. 


Para completar, os passageiros que utilizam os serviços dos trens  também sofrem com a violência. Furtos que interrompem serviços de determinados ramais, arrastões e assaltos com pessoas baleadas são a dura realidade de quem usa o serviço que já é mal prestado. Recentemente uma passageira foi baleada e morta após um assalto ocorrer em um trem na altura da estação de Sampaio. Outros relatos de arrastões e trocas de tiros próximo a estações de trem que deixam todos apreensivos e com muito medo.

Tais ocorrências como vandalismo, calote, furto/assalto, depredação, tiroteios e até uso dos coletivos como barricadas afastam o passageiro que acaba optando por outros meios de chegar ao trabalho, ou até mesmo decide por sair do emprego atual e procura algo mais perto de casa.. Além disso as empresas de ônibus ficam receosas em por seus motoristas em locais de alto risco como comunidades e desta forma acabam deixando de operar uma determinada linha ou alteram sua área de atuação com linhas que não passem próximo ou dentro de comunidades. O que prejudica a vida dos moradores dessas localidades. No caso do BRT, como foi dito acima, com ônibus e estação vandalizada, quem paga é o passageiro já que ele é obrigado a ficar mais tempo esperando por um ônibus e até mesmo obrigado a se deslocar por mais tempo visto que a estação que ele utiliza foi alvo de vândalos.



VALIDADOR DE UMA ESTAÇÃO DE BRT VANDALIZADO


ÔNIBUS DO BRT VANDALIZADO LOGO APÓS SAIR DA GARAGEM PARA DAR VIAGEM


Sem investimentos na segurança pública, além da falta de investimento no transporte público, somado com a falta de um trabalho em conjunto, o que temos é o passageiro acuado, vidas em riscos e linhas desaparecendo por causa da violência. Um transporte público que já é mal administrado e fiscalizado, refém da politicagem, e ainda refém da violência e de pessoas que se acham no direito de danificar e vandalizar um coletivo ou uma estação de ônibus como as do BRT. Desta forma não podemos imaginar nada produtivo para o Rio de Janeiro ou que venha a trazer benfeitorias para o público. 

MATÉRIA: TRANSPORTES DA ZONA OESTE