Na reunião que ocorreu ontem no Centro de Controle Operacional do BRT Rio, localizado ao lado do Terminal Alvorada, junto com a nossa página Transportes da Zona Oeste e as páginas Barra de Guaratiba e Antigo Campo Grande, muito se discutiu em relação aos constantes problemas em todo o corredor BRT. Problemas relacionados a carros sucateados, estações depredadas e até fechadas, a superlotação diária nos articulados, sem contar o tão famoso calote. Falando por partes, vamos explicar um pouco cada um desses problemas, do início até os dias atuais.
PROBLEMAS NOS ARTICULADOS
Uma das principais reclamações dos usuários do BRT no Rio de Janeiro é o sucateamento dos veículos articulados do consórcio onde diariamente os veículos vem a quebrar no meio do caminho, além de apresentar problemas no ar-condicionado, nas portas e muitas das vezes continuam a circular sem a condição necessária para uso. E ainda há o problema das pistas exclusivas terem sido feitas de uma maneira diferente do que seria o correto para suportar o BRT. Com isso, os articulados acabam tendo suas suspensões danificadas devido aos constantes buracos e as elevações nos corredores, prejudicando ainda mais a viagem.
Tirando os problemas na via que acarretam em suspensões danificadas, pneus estourados e mais transtorno ao passageiro, tem também outro fator que ocasiona problemas nos veículos do corredor BRT. Os vândalos que acabam danificando os veículos, quebrando as os vidros das portas e das janelas sem qualquer motivo. É uma coisa corriqueira que infelizmente, pela falta de segurança em todo o Rio de Janeiro, piora ainda mais o serviço prestado. Para ter ideia, um único BRT transporta 1.200 pessoas por dia, ou seja, a cada 2 BRTs danificados, são 2.400 passageiros que acabam sendo obrigados a esperar mais tempo e utilizar-se de um veículo superlotado.
ESTAÇÕES DEPREDADAS
Outro grande problema enfrentado pelo Consórcio BRT desde o início dos serviços é as suas estações sendo depredadas por vândalos. Devido a esse problema, entre outros, que o corredor da Cesário de Melo (BRT 17) veio a parar de funcionar. Mas, na realidade, de quem é a responsabilidade de reformar/reconstruir as estações depredadas/danificadas? Na verdade as estações são de total responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Prefeito Marcelo Crivella, já que todo o projeto foi apresentado por ela na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes. Ou seja, todas as estações que estão danificadas ou fechadas, quem tem que arcar com todo o custeio dos reparos é a própria prefeitura e não o consórcio.
SUPERLOTAÇÃO DOS VEÍCULOS
Diariamente presenciamos os articulados circulando com pessoas nas portas e superlotados. Mas por qual motivo isso acontece? Seria por falta de linhas alternativas ou por falta de ônibus? Pelas informações passadas pelo BRT na CCO, dos 72 ônibus que estavam para ser consertados e recolocados nas ruas, 26 já estão rodando sem contar os 7 articulados alugados de outros estados para o Rock In Rio que permaneceram até que fechasse esse número de 72 ônibus. Vale ressaltar que desses 7 ônibus articulados que foram alugados, um é biarticulado. Obviamente que mesmo com esse acréscimo na frota atual do BRT, a superlotação é inevitável devido carência de linhas principalmente na região de Guaratiba.
CALOTES E VANDALISMOS
Certamente um dos principais problemas do corredor BRT desde o seu início na Transoeste é os calotes e os vandalismos que ocorrem diariamente. O consórcio tem, de prejuízo, devido aos calotes, um valor que passa de 7,5 milhões de reais. Dinheiro esse que poderia ser investido em novos veículos e até mesmo reforma dos atuais. Sem contar que, um ônibus vandalizado pode ficar de 2 a 4 dias parado na garagem esperando, se for o caso, a porta de vidro chegar, o para-brisa ser trocado, um banco ser reposto. Dependendo da empresa, demora até mais e com isso o passageiro que sofre.
A falta de segurança nas estações é um dos fatores que contribui para que os calotes e vandalismos venham a acontecer. Os funcionários do consórcio que ficam presentes nas estações e terminais não são treinados para fazer a segurança e nem tem a autoridade que um Policial Militar tem. Por isso o BRT solicitou, através do PROEIS, reforço na segurança das estações através da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro. E, por isso também, que vão reativar o corredor da Cesário de Melo, pois a PMERJ afirmou que estará trabalhando em conjunto, além da CET-Rio e Guarda Municipal para inibir que motoristas e pessoas venham a transitar nas pistas exclusivas.
Outros assuntos foram discutidos na reunião, como por exemplo a mudança do BRT de Consórcio para uma SPE.
A falta de segurança nas estações é um dos fatores que contribui para que os calotes e vandalismos venham a acontecer. Os funcionários do consórcio que ficam presentes nas estações e terminais não são treinados para fazer a segurança e nem tem a autoridade que um Policial Militar tem. Por isso o BRT solicitou, através do PROEIS, reforço na segurança das estações através da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro. E, por isso também, que vão reativar o corredor da Cesário de Melo, pois a PMERJ afirmou que estará trabalhando em conjunto, além da CET-Rio e Guarda Municipal para inibir que motoristas e pessoas venham a transitar nas pistas exclusivas.
Outros assuntos foram discutidos na reunião, como por exemplo a mudança do BRT de Consórcio para uma SPE.
SPE: Sociedade de Propósito Específico
O BRT, que atualmente é um Consórcio onde atua 11 empresas, está para se transformar em uma Sociedade de Propósito Específico, ou melhor dizendo, uma SPE. Uma espécie de Empresa Privada de Transportes onde não haveria empresas de ônibus atuando com seus veículos igual é atualmente. O próprio BRT teria sua garagem, seus funcionários (motoristas, fiscais), sua frota e poderia até prestar um serviço melhor do que é prestado atualmente.
Exemplo: A Pégaso e a Jabour botam seus articulados na linha 10 junto com outras empresas, sendo que cada empresa põe um número de carros que pode devido a sua condição. Entretanto, sem empresa, sendo uma empresa privada de transportes, o BRT colocaria um número X de carros podendo controlar esse número sem ter que chegar a um acordo com as empresas podendo assim tentar melhorar o serviço.
RETORNO DO BRT 17
Todos sabemos que o corredor da Cesário de Melo está para ser reativado no dia 9, segunda feira. Inicialmente ele será uma LECD (Linha Experimental Coletora de Dados), além de ser um semidireto partindo do Terminal de Campo Grande, localizado ao lado da Rodoviária de Campo Grande parando apenas nas estações Cajueiro, Gastão Rangel, General Olímpio, antes de chegar no Terminal de Santa Cruz. Será dessa forma pois boa parte das estações desse corredor, que conta com 22 estações em uma extensão de 12 km, estão sem condições de uso. A primeira a ser reaberta, pelas informações, será a estação Santa Eugênia, por ter integração com o trem e mais adiante teremos mais estações sendo reabertas.
Para que tudo saia como planejado, necessita-se de um trabalho em conjunto do Consórcio BRT com a PMERJ para fazer a segurança dos funcionários que ficarem nas estações, a Guarda Municipal, para que faça o ordenamento do trânsito e impeça que veículos e pessoas transitem na pista do BRT e a CET-Rio para sinalizar e impedir que ocorram acidentes. Se tudo ocorrer bem e como planejado, teremos enfim o retorno tão esperado do corredor do BRT Cesário de Melo.
E os reparos estão a todo vapor! Ontem, na estação de Campo Grande, funcionários faziam os reparos necessários para a reativação da mesma que, passará de estação, para terminal. Onde o local de embarque ficará aberto, igual na Alvorada e no Jardim Oceânico. Porém, para que tudo saia como planejando, há de ter também a colaboração dos usuários. Colaboração essa para não depredar os veículos, não dar calote, não danificar as estações pois, no contrário, o prejudicado será ele mesmo.
Teoricamente, o Projeto BRT no Rio de Janeiro é um projeto excelente que diminuiu muito o tempo de viagem. Quem mora, por exemplo, no Magarça, para chegar na Barra da Tijuca, antes levava quase 2 horas mais ou menos do que de BRT que leva bem menos. Se esses problemas que o BRT tem atualmente acabarem e der certo o projeto de SPE, poderemos enfim ter um corredor expresso que nos ajude e dê conforto nas viagens melhorando o transporte público carioca.


